quinta-feira, 12 de março de 2009

A NOVELA "O CASAL DO ESPORÃO"

Porque achamos que é um texto importante e muito corajoso, aqui reproduzimos o escrito da nossa conterrânea Ilda Barata, já publicado no jornal "O Varzeense"; o "Jornal de Arganil" e Blog "Blogóis":


"Quando pensei escrever algo sobre o Casal, fi-lo pensando principalmente nas gerações mais novas, que pouco ou nada sabem sobre este assunto.
Baseia-se este escrito, apenas e só nas minhas memórias e vivências dos últimos 50 anos, expressando aquilo que penso como cidadã livre e com raízes numa das famílias mais antigas do Esporão.
Chamo-lhe novela, porque tem tantas peripécias e conflitos que dava com certeza para fazer muitos episódios. Os primeiros estão envoltos na penumbra dos tempos em que eram os reis que governavam este país. Ainda hoje me causa a maior curiosidade o que teria levado D. Nuno da Silveira (Senhor de Góis) ou seus descendentes a deixar de herança uma tão grande área ao povo do Esporão. Esse terreno, e baseando-me numa descrição que observei, começa no rio Ceira, num sítio chamado Caneiro de Jorge Anes, passa por Vale da Pereira, atravessa a E.N.2, Cimo do Vale do Velho, Fonte do Salgueiro, passa o rio Sótão, Fonte do Ventoso, Penedo dos Corvos, Vale dos Cabrões, Pena Longa, Caratão do Candão, volta a atravessar o rio, Selada do Carvalho Velho, Cabeço dos Vales, Alto da Serra, Cabeço do Lourencinho, Foz do Forcado e rio Ceira.
Está conforme a escritura existente na Torre do Tombo da Universidade de Coimbra, em 3 de Março de 1799.
Em 1955 é fundada a Comissão de Melhoramentos do Esporão, e são-lhe entregues pelos até aí administradores, os documentos referentes à proveniência daquela herança.
Mas como cada cabeça sua sentença, os conflitos que já existiam continuaram, porque nunca houve consenso em relação à melhor solução para explorar os terrenos, em beneficio de todos.
Como em todas as novelas, também aqui haviam os ricos, os pobres, os remediados e os "chicos espertos" (alguns vindos de fora do núcleo) que sempre se vão safando graças à inocência e boa fé dos outros e como diz o ditado: "em terra de cegos, quem tem olho é Rei".
Comecei a ouvir falar do Casal, há-se haver 50 anos. Eu era pequena e os meus pais falavam nos que andavam a semear pinheiros, e então eles também tinham que semear...
Dizia o meu pai, que era "fazer filhos em mulheres alheias"...
Naquela altura, não percebia o que ele queria dizer, e só muito mais tarde compreendi o sentido. Afinal toda a gente sabia que as terras eram de todos e não eram de ninguém, mas naquele tempo tal como hoje, tenta-se desculpar os próprios abusos, apontando os abusos dos outros. Aquela semeia, eu também semeio.
Aquele corta, eu também corto.
A ganância tem uma força tremenda e os resultados estão à vista hoje em dia, com a situação vivida por esse mundo fora, no qual se privilegia o interesse individual em detrimento do colectivo. Eu via os meus irmãos retirarem umas sementinhas pretas das pinhas, e perguntava: -"pra qué isso?!" e eles respondiam: -"É para semear um pinhal!!". Vejam lá, até os rapazotes queriam ter um pinhal! Enquanto uns tinham poder económico para comprar o pinhão e trazer o pessoal a semear, havia outros que nem 1 quilo de arroz tinham para comer.
Naqueles tempos o mato e a lenha eram um bem precioso. O mato para pastagem e cama para o gado, e daí o estrume para as terras de cultivo. A lenha para o aquecimento e para cozinhar os alimentos, pois não haviam nem electricidade nem gás. Ai de algum garoto da Ribeira que viesse buscar um molhito de lenha à zona do Esporão, que era logo corrido à pedrada sem dó nem piedade... Eu própria o cheguei a fazer... (quem diz a verdade não merece castigo) eram as ordens que tínhamos.
Depois havia as atestadas (ou testadas?), elas cresceram em todas as direcções, e se tivessem kms de distância ainda melhor, algumas até se formaram a meio de uma encosta...
É minha opinião que nunca os nossos antepassados deviam ter permitido a posse de atestadas, dada a natureza daquela doação. Logo aí teve início a injustiça, senão vejamos:
Os mais abastados tinham mais terras de cultivo, logo tinham mais atestadas. Depois havia o mais pobre que precisava de dinheiro numa aflição, e logo o mais poderoso se prontificava a comprar-lhe as magras courelas e lá se juntavam mais umas atestadas. Só seriam propriedade privada casas de habitação, currais de gado, terras de cultivo, soutos, olivais, locais de trabalho e instalações de cultura/lazer.
Uma vez houve uma briga tão feia entre conterrâneos, que até teve a intervenção da GNR e daí resultou o corte de relações entre duas famílias que durou muitos anos.
Se não me engano, no Verão de 1964 deflagrou um incêndio nos terrenos do Casal, que rapidamente consumiu uma grande área deste e não só. Ficaram para sempre gravadas na minha memória, aquelas imagens terríveis e os gritos de aflição da minha mãe, e meu irmão a carregar os cortiços das abelhas para junto de um poço, e assim as salvar de morte certa. Eu tratava de conduzir o rebanho para longe das chamas que avançavam a grande velocidade em direcção à Cerdeira e à Folgosa. Naquele tempo não havia os meios de combate de hoje nem subsídios para pagar os prejuízos causados. Logo se falou à boca cheia que havia sido fogo posto, por via de uma qualquer vingança relacionada com o Casal. Nada foi provado, mas naquela altura, criança que era, detestei esse Casal que tanto sofrimento estava a provocar. A partir daquele incêndio a saúde da minha mãe nunca mais foi a mesma. Em 1989 o Casal passou a ser propriedade legal em nome da Comissão de Melhoramentos do Esporão depois de uma demanda judicial, posta por um grupo de conterrâneos.
Aqui há tempos ouvi uma rodada de "bonitos" nomes dirigidos à Comissão, entre eles, o de ladrões. Aí lembrei-me daquele jeito engraçado de Mister Scolari: -"E o ladrão sou eu?!". Sempre ouvi dizer que onde há tentação há ladrão, e de facto o Casal tem sido ao longo dos anos uma grande tentação, que para alguns está difícil de largar. Alguns dos que me lêem, talvez tenham andado a guardar o gado, assim como eu, na Encosta do Loureiro junto ao Marco Geodésico. Ali era Casal, não havia praticamente nada semeado, o gado andava à vontade e brincávamos naquele sítio com uma paisagem maravilhosa. Havia uns pinheiritos espontâneos que mal davam sombra para comermos a merenda. Agora já estavam bem grandes e grossos, mas foram cortados. Porquê? Por quem? Não foi o bicho do pinheiro, nem foi ordem da Comissão, que apresenta todos os anos os seus rendimentos. Já sei, é a atestada do "Sr. Marco"...
Gente da minha terra, o final desta novela está nas vossas mãos. Deixemo-nos de paninhos quentes, de compadrios, de favores ridículos. Denunciem a quem de direito os abusos praticados num bem que é de todos, e não só de alguns. Não tenham medo de falar, o tempo da censura já lá vai. Ao calarem-se são cúmplices dos crimes praticados. Mais vale tarde que nunca.
Com tudo o que ficou para trás, com o que vejo no presente, receio que no futuro (com muita pena minha), chegue à triste conclusão que o povo do Esporão não é, nem nunca foi merecedor do gesto nobre de um NOBRE SENHOR DE GÓIS.

Ilda Celeste Henriques Barata
in Jornal de Arganil; O Varzeense e Blogóis.

19 comentários:

Tiago J. Santos Carriço disse...

Por momentos, assustei-me, pensei que andava algum assassino no Esporão. Que venham de lá esses cúmplices… E o cadáver? Está na encosta do Loureiro?
Afinal não… Morreu por indigestão, malvado pinhão!!!
Também não???!!!
Ahhh …. De comichão na articulação.
Não…
Na verdade, anda lá o fantasma de Santa Comba Dão… Mas esse já está enterrado num grande fundão!!!
Mas que grande confusão!!!
Agustina Bessa-Luís, isto é obsessão.

Para vós fica a conclusão…

Anónimo disse...

Então eu que tambem tenho mais que 50anos devo ser curto de memoria, pois não me lembro de correr ninguem a pedra isto pra mim e novidade.Lembro-me haver uma grande briga mas foi o povo todo contra a familia Barata,isso sim.Tambem me lembro muito bem aIlda Barata e irmãos cortaram 2 pinhais a xegar a POVOA e como na altura se tinha que fazer Requerimento para lavragens toca de plantar o sr. Eucalipto a cavadela,o que veio a valer um bom corte ha mais ou menos dois anos ,ate foi muito falado que cortaram 3filas da Empresa,mas como a Ilda e da Direcção em frente.A Ilda depois de analizar o Loureiro, pode ir ate ao Carvalho da Fonte pois ai e que são umas boas atestadas ,mas claro como essas ha muitas ,mas estão escrituradas. ai ninguem toca que tem dono. Temos tambem um outro bom exemplo da Comissão que foi o terreno da Casa de Convivio.Houve um senhor que o apanhou e depois resolveu oferecer uma parte a Comissão. Muito bonito!....Teve um agradecimento distinto.Não andem a mandar serradura pro olhos!..
Resolvam os problemas da forma correcta e não andem a escrever "novelas".ISTO E UM PROBLEMA DO ESPORÂO...simplesmente.

Anónimo disse...

Depois de se ler esta "novela" nota-se que no Esporão as pessoas ofendem-se ,chegando ao ponto de chamarem ladrões. Mas tambem se sabe d. Ilda Barata que A sra. quando vem ao Esporão Trata de maneira diferente os problemas do CaSAL consoante são as pessoas em causa,pois tem sido vista no coxixinho com o J.S. e C.B.,porque não tratam desses assuntos em reuniões e tentam falar com esses"ladrões" como diz na sua "novela"?
Tambem e do conhecimento do povo que a Comissão esta para dar terreno ao sr.Miranda ou ja deu so porque o terreno que ele entregou tinha uma boa plantação,mas cuidado com a bondade que ha quem esteja atento! sabe-se muito bem quem ja foi ate ver esse assunto no local com ele e os seus dois filhos a um Domingo a tarde!...

A.C.B. disse...

Calma! calma! pede-se alguma calma!
Eu bem sei que o assunto do "Casal" sempre despertou paixões e ódios no Esporão. Mas também é evidente que sendo este Blog dedicado ao Esporão, mais cedo ou mais tarde, a questão do Casal acabaria por ser falada.
NÃO foi minha intenção, ao publicar este artigo da nossa amiga Ilda Barata, criar qualquer espécie de celeuma ou atrito entre a nossa "Tribo", e por certo não foi também essa a intenção da Ilda Barata.
é claro que a questão do Casal ainda vai demorar mais alguns anos a ser definitivamente encerrada, o tempo que vai demorar vai depender da boa vontade de todos.
Estou no entanto certo que não é com "acusações" ou voltando a falar do "passado" que lá vamos.
O Esporão pode ser uma boa terra se todos estivermos dispostos a "perder" um bocadinho, a ceder um pouco,a sermos mais tolerantes, a aceitarmos que todos nós, ou as nossas famílias podem errar, ou erraram mesmo.
Sendo certo que também concordo que tudo ser feito de uma maneira imparcial, igual para todos e à luz do dia.
Faço votos para que o "Casal" deixe de ser o "cancro" do Esporão e possa vir a ser mais um factor, entre outros, de desenvolvimento.
um abraço a todos.

Anónimo disse...

Todo um projecto,um ideal,foi simplesmente "castrado"há uns anos atrás.
De quem foi a culpa?...,"essa morre solteira" como dizem.
Fala-se,diz-se muita coisa,não tenho dúvida,que alguma razão assista,e esteja dividida,por muita gente,mas seria bom,que estas razões dispersas,fizessem uma só razão.
Penso que seria bem melhor para todos e o Esporão ficaria a ganhar.
Em lugar próprio,disse que o Casal para mim estava encerrado.
Podem "castrar"projectos,opiniões, ideias;- Mas não serei homem "castrado".
Continuarei atento,mantendo viva a chama do meu pensamento,tal como afirmei no blogóis a 11-3:17.29,pois como cidadão tenho o dever de intervir nas causas, que nos possam afectar,directa ou indiretamente,entendo que o interesse comum deve estar á frente dos individuais.
Um só favor peço,não ponham lenha na fogueira,se gostam da nossa Aldeia.pensem que todo o erro tem a sua resolução,vamos tentar encontrá-la,basta para isso que a procuremos.
Aproveitem este espaço para construir.Vamos todos com calma pensar no assunto.
Um abraço
A.Filipe

A.C.B. disse...

-Amigo Tiago, sempre com sentido de humor, tudo bem?

-Amigo Adriano, concordo totalmente com as tuas palavras.
é tempo de sarar as feridas.
Um abraço.

Tiago J. Santos Carriço disse...

Sempre bem, com a ajuda de Deus.
Já era de meu conhecimento, alguma “propaganda” que andava a ser feita “de porta em porta”, em relação à dita encosta. E para mim, este texto, não foi mais do que a cereja no “topo do bolo”.
Tudo isto, só prejudica a resolução pacífica de qualquer problema. Não é com “pressões”, “ameaças” ou “insinuações”, feitas fora de local próprio, que este assunto, no que toca “ aos meus”, se vai resolver. Era uma falta de respeito e consideração, para com todos os meus antepassados, que estiveram ligados a dita terra. Mais digo, era uma falta de respeito pelo Senhor meu avô, Silvério Nunes dos Santos, pessoa que foi, honrada, honesta e trabalhadora. Não admitirei mais, qualquer falta de respeito para com a sua memória.
Volto a repetir, todas estas “jogadas de bastidores”, só têm prejudicado o final pacífico desta situação.
Voltando ao texto, que supostamente, era dirigido ás “novas gerações”, não passa de um despertar de “velhos fantasmas” e de palavras que podem vir a levantar novos, devido ao “mar de insinuações”.
A “malta jovem” é conhecedora da situação e anda bem atenta. Já o constatei por diversas vezes. Mas o que mais me alegra, é que têm ideias, para aquela que de alguma maneira, é a “sua terra”. E mais que ideias, têm paixão…
Deixo, agora, o tema do “Casal”, porque houve uma pequena expressão desta “novela”, que “me chamou” mais atenção: “…(alguns vindos de fora do núcleo)…”.
Como filho, neto, bisneto e saberá Deus o que mais, de pessoas nascidas nesta terra, não sei, nem compreendo o que seja isso. Desde pequeno que conheço o Esporão, e nunca vi ninguém ser tratado de maneira diferente, pelas suas raízes. Sei sim, que muitos vindos de fora, ao longo dos tempos, têm feito muito por esta terra. Os núcleos que conheço, são os de desporto da Associação Académica de Coimbra (pesca, caça, futebol, remo, natação, hóquei em patins, etc.).
Amigo Abílio, respeito sempre a opinião de cada um, mas segundo o meu ponto de vista, o cabeçalho introdutório não foi o mais feliz.
A introdução deste texto, só poderia levar a este final, e os debates são sempre positivos …
Termino dizendo, que não gosto de “novelas”, ainda mais daquelas que não estão no controle do seu autor, porque podem ter um final inesperado. Os conflitos não levam a nenhum lado, que se “enterrem os machados” e que acabem as “perseguições” sem sentido.
Afinal, o término desta “novela” está, mesmo, “nas mãos” da “gente da terra”… Que “ESTÁ BEM DESPERTA”…

Abraço

Anónimo disse...

Boa noite!
A palavra Casal assusta-me e faz-me recordar o que não quero,se houvesse a venda remedio para esquecimento eu compraria.
Logo que li este texto a que chamam "novela"para alem de coisas boas,veio-me logo a memoria coisas que não quero recordar.Achei logo no momento que se estava a coçar numa ferida "quase"sarada.Se a Comissão tem problemas com alguem deve resolve-los no local indicado,pois não me parece uma boa ideia publicarem no Jornal um assunto que so ao Esporão diz respeito.Tambem não e com erros que se resolvem erros,e nem que não se queira vão ficar sempre uns mais beneficiados que outros.Somos tão poucos POR FAVOR não façam nada que nos possa dividir mais ainda.
Vou deixar aqui uma ideia que me anda no "goto" ha muito tempo.Vamos comemorar o Dia do Vizinho?

Peço desculpa se ofendi alguem,pois não era minha intenção.

Um abraço.
Olinda Bandeira

Anónimo disse...

boas!
gostava que alguem me esclarecesse quem são as pessoas do "nucleo"do Esporão digo e as que não são.
eu não e que estou aqui com uma duvida! e pelo nascimento? e que se e daqui a pouco não ha ca ninguem,pois esses malandritos vão todos nascer a Coimbra! ahhhhhhh
continuo confundid
E o Tiago Carriço? e do "nuclio"ou não?
RESPONDAm-me

A.C.B. disse...

Em primeiro lugar, boa noite a todos.
Confesso que nunca esperei que um texto já publicado noutros locais, "jornal de arganil"; jornal "o varzeense"; "Blogóis, etc. acabasse por resultar em tanta polémica,o que, sinceramente,NUNCA desejei nem esperei...
Na minha óptica, o 2º e o 3º comentários, além de desnecessários só vieram causa atritos. No entanto, este é um espaço de liberdade e troca de ideias, sem "censura", e ás vezes é esse o preço que pagamos por isso.
Quanto ao título, como imaginam, não e da minha autoria, e nada tenho a dizer sobre isso.
Quanto ao meu pequeno texto de introdução mantenho o que ali digo..."por ser um texto importante e corajoso...",porque de facto acho que é um texto "importante", porque aborda um assunto importante do Esporão, apesar de se calhar não ser esta a melhor altura para falar dele. Depois acho que de facto é um texto "corajoso", por ter a coragem de falar neste "cancro" que é o "casal do Esporão".
Quanto ao teor do texto,que tem, muito corajosamente, um autor bem identificado,concordar com ele ou não, isso já fica ao critério dos nossos leitores.
Os comentários que alguns anónimos ou leitores devidamente identificados fizeram é também da responsabilidade de cada um deles,sendo certo que aos anónimos, só a sua própria consciência os pode, ou não, acusar.
Por mim, e terminando, desejo sinceramente que o assunto do casal não divida a terra mais do que já dividiu no passado, porque não vale a pena, o problema do casal, a mal ou a bem, acabará por ser resolvido no futuro, mais valia que fosse a bem.
Um abraço para todos.

(P.S. em relação ao que poderá querer dizer a expressão "..de fora do núcleo.." começo por dizer que quem a escreveu é que será a pessoa indicada para responder, mas, de qualquer maneira, sempre posso esclarecer que essa expressão era utilizada há alguns anos atrás, 20, 30 ou mesmo 50 anos, para designar as pessoas que vinham casar à terra, sem serem dela naturais ou descendentes. O que na prática acontecia em quase todas as famílias. Por exemplo, no meu caso, se fosse o meu pai, era do núcleo porque era descendente da terra, se fosse a minha mãe já não era do núcleo, porque é da zona de Castelo Branco. Eram parvoices de outros tempos!)

Edgar disse...

Antes de mais quero dar os meus cumprimentos a todos os participantes deste blog.
Depois de ler os vários comentários, revejo-me por completo nas palavras do 1º comentário efectuado pelo amigo Abílio Bandeira, mas ainda assim gostaria de dar a minha opinião sobre alguns dos comentários:

1º - O Sr. Tiago Santos disse que na sua opinião “…o cabeçalho introdutório…” não foi o mais feliz.
Pode não ter sido o mais feliz, mas foi sem dúvida o mais verdadeiro, senão vejamos:
É importante? Parece-me evidente que sim, basta ver o número de comentários, e o teor dos mesmos…
É corajoso? Bem, os vários comentários que aqui foram assinados como “anónimo” demonstram bem a fibra de que a Sra. Ilda Barata (da qual sou filho) é feita e que é preciso ter coragem para dar a cara por aquilo em que acreditamos.
2º - Muitos falam aqui em “sarar feridas”. Meus amigos, para curar um cancro são necessário fazer tratamentos altamente destrutivos, na esperança de que apesar de algumas células boas poderem ser afectadas, se consiga eliminar todas aquelas que são cancerígenas. Mas outros preferem colocar um pouco de maquiagem no paciente porque custa menos. O pior é que o problema permanece até levar o doente à morte. Tal como foi aqui dito, isto vai ser resolvido, ou a bem ou a mal.
3º - Muitos dizem, e muito bem, que estes assuntos deveriam ser falados nos sítios adequados. Pois… o pior é que quando chega a altura certa, não aparece ninguém nesses ditos “sítios adequados”. Nas assembleias-gerais, não aparece quase ninguém, e muitos dos que aparecem preferem falar mal pelas costas, do que falar à frente de todos. Assim, fica difícil…
4º - Muitos estão preocupados com a falta de respeito à memória dos seus antepassados, mas provavelmente são eles que não a estão a respeitar.
5º - O 1º comentário do “Sr. Dr. Anónimo” demonstra alguma falta de atenção ao texto em causa. A Ilda Barata, NUNCA disse que a sua família não tinha cometido erros no passado, muito pelo contrário. É aqui que se separa o trigo do joio.
6º - O Adriano Filipe diz que nunca será um homem “castrado”, mas quando pede para não colocar mais lenha na fogueira, está (inadvertidamente) a castrar quem quer dar a sua opinião.

Sinceramente, tenho dúvidas acerca da publicação deste texto nos jornais, mas na minha opinião este texto provocou precisamente aquilo a que se propunha. Lançar uma pedra no charco.
Não foram mencionados nomes, mas alguns enfiaram o “barrete” bem fundo nas suas próprias cabeças.

Anónimo disse...

Em primeiro lugar bom dia para todos os intervenientes.
AMIGO EDGAR
Não sabes o porquê de eu utilizar a palavra "castrado",pois não estavas cá nessa altura,e não fazias parte do organismo C.M.E
Quanto á lenha da fogueira,não tem nenhum lápis azul,pensa o que quizeres, és livre como eu, de dizeres o que bem entenderes.
Os comentários até agora ainda não bateram o record da petição,pois só espero que haja bom senso.
E já agora porque tenho pouco tempo,digo que gostei também,do último comentário do amigo Tiago,pois pareceu-me bastante positivo,mostrando que poderá existir uma possivel resolução para os assuntos,assim as partes queiram.
Um abraço
A.Filipe

Edgar disse...

Cumprimentos, Adriano!
Penso que me interpretaste mal, porque não me expressei da melhor maneira.
Não é por não ter vivido antes do 25 de Abril, que não percebo nada do assunto. Se não existisse um modo de sabermos o que as gerações antigas sabiam, então estaria tudo na mesma, e não existiria electricidade, curas para várias doenças, etc…
Em relação à “lenha na fogueira”, o pormenor está na palavra “inadvertidamente” do meu documentário, até porque és a pessoa que conheci até hoje, que mais preza os valores da liberdade. Mas acontece que gabas a liberdade que todos temos em nosso poder, mas ao mesmo tempo pareces dizer: “vá lá, parem com isso, que ainda se magoam!” “Não digam coisas que pensam mas que vão gerar conflitos!” “Fiquem mas é caladinhos e façam as pazes, e vamos deixar tudo na mesma!”.
Em relação ao comentário do Sr. Tiago, até ver, não passa disso mesmo, um comentário, pois não é o que dizemos que nos define mas sim aquilo que fazemos.

Anónimo disse...

Edgar a sua mãe não foi assim tão corajosa,pois tenta dizer tanta coisa a pessoas,mas indirectamente e num jornal,porque não tem coragem ou conpetencia de o fazer pessoalmente.
O anonimo não fala da sua familia ,mas sim da sua mãe,e que esta venda que fizeram no casal esta ainda quentinha não pertence ao passado!
a sua mãe não sabe quem cortou nem quem vendeu no louireiro! mas o ano passado andou a colar comunicados ,estava melhor informada,ou os ladrões mostravam menos RESISTENCIA?
Edgar tenha menos arrogãncia e respeite mais as pessoas do ESPORÂO.
quando separarem o trigo do joio voces vão ficar no saco trigo certamente ,porque o saco do joio ja esta cheio com as pessoas que vão para as Assembleias falar mal nas costas e outras mais ,não assim?
tem graça passasse ano que o sr. não vem ao Esporão,mas porque não tem tempo,ou porque tem outras paragens? pois e,então não ande para ai a ofender pessoas que gostam do Esporão.

Anónimo disse...

Boa tarde.
O Edgar tem escrito numa das suas intervenções que enfiaram o "barrete" ate ao fundo das orelhas e que a intenção desta novela era "lançar a pedra no charco",pois confesso que estou a conhecer melhor algumas pessoas,imaginava-as umas santinhas.
quer dizer que querem mesmo ver guerras,dou-lhe os meus pêsames e um conselho: Façam as guerras em Lisboa,ai vão ter mais combatentes,têm mais raças!

leonel carriço disse...

Caros Amigos
O Esporão é NOBRE, porque nobres foram, são e serão as suas gentes.
O Esporão é GRANDE, porque grandes são os corações que por Ele bateram, batem e continuarão a bater.
O Esporão é uma FESTA, porque sempre houve, há e haverá um brilho intenso, uma alegria imensa em cada encontro, em cada chegada!...
O Esporão é PECULIAR, porque até na partida tem sido,é e será sempre diferente!...
O Esporão é SOLIDÁRIO, porque nos grandes momentos, na hora da verdade(os pequenos momentos e o minuto da mentira não contam) sempre houve há e haverá um abraço, sem descriminações, porque o Esporão também sempre foi, é e será UM EXEMPLO.
O Esporão é um ESPECTÁCULO porque sempre esteve,está e estará na moda!... indubitavelmente!...
O Esporão é TRANQUILIDADE, porque a serenidade, a paz e a harmonia(despreza-se um ou outro desvario)sempre adornaram, adornam e adornarão todos aqueles que Lhe estão ligados: por nascença, afinidades ou simplesmente por opção!...
O Esporão é PAIXÃO, porque há um casal, malandreco, pelos vistos descendente dum mui nobre senhor de Góis, que anda por aí "enrolado" em amores quase proibidos, não escolhendo nem momentos nem locais para o romance, o enlevo, o êxtase!...E o mais fantástico é que o dito casal,dizem que velhinho,continua fresco, airoso, escaldante...ludibriando tudo e todos no que à idade diz respeito.É vê-lo entre muros,em casas tombantes, pinheirais, eucaliptais, à beira de qualquer regato ou simplesmente em qualquer cantito menos iluminado!...atrevido, maroto, o casal!...
O Esporão é TOLERÂNCIA, porque desde o início desse romance,que O enleva, nunca nimguém criticou,escorraçou ou molestou o dito casal (exceptua-se um ou outro casal invejoso por não conseguir atingir tal intensidade amorosa).
O Esporão é INTELIGENTE, porque se o Seu povo é tolerante para o dito casal exige dele, em contrapartida, que não provoque qualquer quezília ou frenesim entre aqueles e aquelas que o receberam de braços abertos!...É justo, justíssimo!...até porque, é bom frisar, TODOS o receberam,foram recebendo e continuarão a receber!...
O Esporão é PERSPICAZ, porque sempre exigiu, exige e exigirá que o dito casal,abastado por razões óbvias, na sua generosidade seja equitativo, ponderado e justo, mas sobretudo tenha a coragem necessária para sussurrar aos ouvidos de alguns que a ganância e o oportunismo são efectivamente condenáveis e aos ouvidos de outros que pior ladrão do que aquele que usurpa é aquele outro que por incúria ou desleixo deixa que lhe levem o BEM que em consciência julga, repito JULGA, que é seu.Se há alguém que tem tanto a certeza do contrário deve-o provar inequivocamente e/ou dizê-lo frontalmente, sem rodeios, tiques, ofensas, ameaças , hipocrisias... no ESPORÃO... onde a brisa suave ou o sussurrar do vento mais forte, O DO NORTE, e a ligeireza das águas nos regatos clamarão, por certo, ao bom senso e ponderarão sabiamente - HONRA AOS ANTEPASSADOS - as razões de cada qual!...
Cheguei agora ao Esporão.
A noite está fria e há uma certa névoa. Quem vai ali? Não importa... É UM AMIGO OU UMA AMIGA, DE CERTEZA!...
Escrevo este texto fundamentalmente por três razões:
1º- Não sou do núcleo, mas não me importo. Contento-me em ser um simples organelo desta célula que é o ESPORÃO.
2º- Por respeito para com todos aqueles que se sentirão incomodados, por certo, com este asssunto do frenético e buliçoso casal,incluindo,creio,alguns mui respeitosos membros da CME, a quem cumprimento com a devida vénia.
3º- Porque quero que TODOS tenham a certeza que quando alguém da minha família escreve, assina.
Um Abraço
Leonel Carriço

A.C.B. disse...

Amigo Leonel,é um prazer ver por estas bandas tão ilustre visitante.
Adorei o texto e o sentido de humor.
Também eu,de tudo isto, espero que resulte algum bom senso.
A "tribo" do Esporão,pelo menos para mim,não tem núcleo nem tem célula, tem apenas pessoas que gostam dele.
Ponderei até activar a "aprovação de comentários" para evitar comentários anónimos que apenas transportam veneno para a conversa, mas,continuo com fé nas pessoas, pode ser que haja bom senso e educação, pode ser...
O Esporão merece e deseja que os seus amigos sejam também amigos uns dos outros.
Um abraço.

Anónimo disse...

Bom dia para todos.
Pouco mais vou acrescentar ao que já disse.
Mas não posso deixar de agradecer as palavras do Sr.Leonel,pois como já afirmei,noutro espaço, ao ler o seu bonito texto,não posso deixar de ACREDITAR,e de continuar a ter ESPERANÇA.
Bem-Haja
Cumprimentos para todos
A.Filipe

Anónimo disse...

"Novela do Esporão"...Este titulo inspira-me enredos,e mexericos...
Ainda não consegui entender porque é que um "CASAL"dá tanto comentário e tanta história,e algumas um pouco mal contadas.
Se D.Nuno da Silveira soubesse que a deixa de sua herança ia dar tanto que falar, se calhar deixaria o CASAL para quem não fosse tão ganâncioso.
Tenho mais alguns anos que a autora desta Novela, e por acaso vivi muitos anos na aldeia do Esporão,até mais que a senhora e sinceramente a minha história não condiz com a dela. Na minha casa nunca ninguém me ensinou a correr à pedrada os meninos da Ribeira, ou outras aldeias, isso aí já ia da educaçaõ de cada familia. E tenho em minha memória já me diziam os meus avós que o CASAL do Esporão pertencia a duas familias que eram Abilio Barata e Casiano Bandeira,e outros esses outros seriam os filhos.Como os bons terrenos sempre foram semeados e comandados por essas familias, nunca pensei que depois de tantos anos ainda poderia vir a dar uma Novela.
Se alguém adquiriu atestadas dos terrenos que tinham, acho bem,por isso deixem-nos em paz.
Se somos a favor do povamento das aldeias desertificadas,conservem os bons habitantes que o Esporão reconquistou,não na nossa geração mas na dos nossos filhos e netos.
Como diz o amigo Leonel, o Esporão é : Nobre, Festa,Peculiar, Tranquilidade, e Paixão...
Para quê tanta guerra?
Acabem com essa Novela ^.
DEUS NÃO QUER QUE NÓS NOS APEGUEMOS AOS BENS DA TERRA.
E já diziam os meua avós "A vida são dois dias, vamos vivê-los em paz."