domingo, 1 de fevereiro de 2009

A VITÓRIA DO XISTO É A VITÓRIA DO ESPORÃO

Todos no Esporão conhecem esta casa, era a casa dos Nunes e depois foi a casa dos Mourão.
Isto vem a propósito da "pequena revolução" que, pouco a pouco, vem transformando o Esporão Antigo naquilo que ele já foi em tempos, terra de xisto.
Uma série de casas que estavam completamente em ruínas, ou quase, que muitos consideravam já totalmente perdidas, ressurgiram e renasceram em xisto, ou quase, porque em algumas infelizmente, manteve-se umas inestéticas cimalhas que, ainda por cima, depois se pintaram de branco. Mas pode ser que com o passar do tempo as coisas se venham a compor.
Mas vamos apenas dar um exemplo do que ainda mais pode ser feito. A casa em questão encontra-se rebocada e pintada de branco, mas retirado o reboco o seu aspecto seria mais ou menos o que mostramos abaixo, depois de termos tratado digitalmente a fotografia.
Digam lá, era ou não era muito mais bonita?
O Esporão só tem a ganhar com o xisto.
Se cada vez que alguém construir, ou reconstruir um muro, o construir em xisto, ou forrado a xisto. Se cada vez que alguém construir, ou reconstruir uma casa, a construir em xisto, ou forrada a xisto. Se cada vez que alguém construir uma churrasqueira, a construir em xisto, ou forrada a xisto, etc. etc...o Esporão ficará mais bonito e mais verdadeiro. E as terras bonitas e verdadeiras são as terras onde as pessoas gostam de viver, ou pelo menos gostam de visitar.

14 comentários:

Anónimo disse...

Bom dia Abilio. O TERRAS DO ESPORAO deixa-nos sempre com agua na boca e digo-te ,todos os dias o visito. Mas hoje fiquei maravilhada com esta casa dos teus sonhos. Bem, eu sei que ainda a vou ver um dia,a nao ser que a sorte me falhe,e ai nao vai ser sonho de certeza. PARABENS! (O)

Tiago J. Santos Carriço disse...

Sou habitual leitor do “ BLOG “ Terras do Esporão. Porém, é a primeira vez que participo activamente no mesmo. Razão disso: As cimalhas brancas das casas de xisto há pouco tempo recuperadas. Não tenho a certeza porque raio de razão as “ditas” ficaram brancas, mas desconfio: os subsídios, malditos subsídios “... tão apreguados, tão esperados ... tão teimosos em não aparecer!...
Sendo assim, penso eu, a alguns terá faltado a “massa” para estamparem as suas reconstruções com outro tipo de cimalha; a outros, provavelmente, terá faltado não só a massa mas também engenho, arte e mais CORAGEM para reerguer muros, paredes, casas !...
Enfim, edificarem com determinação o que levianamente a sua UTOPIA vai prometendo!...
Por um “Esporão de Xisto”, com cimalhas brancas, sem cimalhas ou mesmo com cimalhas Cor-de-Rosa, acima de tudo por um ESPORÃO RENOVADO!...

Tiago J. Santos Carriço

A.C.B. disse...

Amigo Tiago, é um prazer enorme ver-te por aqui.
Quando falo das cimalhas em branco não falo contra ninguém, porque eu próprio tenho uma casa no lugar com a dita cimalha em branco, e ainda não a mudei, apesar de já andar a pensar nisso à bastante tempo.
Apenas expresso a minha opinião sobre como, pelo menos pelo exterior, poderiam ficar mais "autênticas".
Até já pensei em pintar a minha em castanho, pelo menos temporáriamente.
Ergo também a minha taça a um Esporão renovado.
Um abraço.

Anónimo disse...

Bom dia Abílio
Resposta á tua pergunta:
Gostei de ver a mudificação da casa.Fica fixe...
-------------xxxx--------
As palavras!... Subsídios,massa,engenho,arte,
coragem,levianamente,utopia.
Podem dizer e significarem o que se queira!...MENOS VERDADE
Um abraço
Adriano Filipe

A.C.B. disse...

Não deixa de ter a sua graça, aqui estão em amena cavaqueira três felizes proprietários das ditas casas de xisto com cimalha pintada em branco.
No que eu me meto!
Esclarecendo:
1)ainda bem que as casas se vão recuperando.
2)se os telhados foram feitos com aquelas cimalhas e pintados em branco, não é muito grave, apenas não fica muito bem estéticamente, pelo menos NA MINHA opinião.
3) Além demais, não é nada que não possa ser um dia reparado, ou pintando em castanho, ou forando a madeira, ou outras soluções.
4) muito menos é culpa dos proprietários das casas.
5) E, finalizando, quem as fez assim, provavelmente,até estava a pensar que era o melhor e o mais bonito.
Um abraço a todos.

Amiga (O), como sempre muito obrigado pelos teus elogios, é sempre um prazer ver-te por aqui,apesar dos elogios serem óbviamente emerecidos.
um abraço.

ACV disse...

Já vi que a discussão está animada!
Deixemo-nos de tretas relativamente a cor das cimalhas! Todos os proprietários das casas de xisto do Esporão estão de parabéns e principalmente todas as pessoas que continuam a lutar pela identidade do Esporão.
Sempre defendi e defendo que o Esporão só tinha a ganhar em obter caracteristicas que permitissem estar incluido na Rota das Aldeias de Xisto.
Por um Esporão RENOVADO, AUTENTICO E GENUINO.
Parabéns pelo blog.

A.C.B. disse...

Caro A.C.V., muito obrigado pela sua participação.
Também achamos que de facto o Esporão só tinha a ganhar em ser integrado na "rede das aldeias de xisto", mas até à data tal não foi possível.
Eu, pessoalmente, estive à uns anos atrás numa reunião com o sr. Presidente da Câmara de Góis, sr. Girão Vitorino, com o objectivo de conseguir que o Esporão fizesse parte das aldeias de xisto, mas foi-nos dito que as aldeias já estavam escolhidas e já não havia tempo porque o processo já estava em andamento.
De qualquer maneira, penso que as cimalhas, com aliás qualquer outro pormenor, tem sempre a sua importância, mesmo que não seja uma importância fundamental.
Álem de mais a discussão-civilizada e cordial- é um dos objectivos deste blog.
Igualmente por um Esporão sempre renovado.
um abraço.

Carvalhal-Miúdo disse...

Abílio,

Sem querer ferir susceptibilidades concretizo que na realidade ficaria muito mais bonita. O xisto era predominância nas construções doutros tempos, que preservadas poderiam continuar a dotar a região de uma magnificência estrutural que`seria muito saudável à vista, pois tudo ficaria muito mais belo. Não deixa de haver conforto por causa disso, antes pelo contrário.
Já muitas aldeias da serra estão seguir esse caminho e o turismo as está a procurar como destino de férias, por via do seu ramo rural.
São boas situações para serem ponderadas e postas em prática.
Plenamente de acordo...sem querer ferir susceptibilidades, obviamente.
Abraço

Tiago J. Santos Carriço disse...

Há dias assim…
Sempre ouvi dizer que “o português é uma língua muito traiçoeira”. Esta é uma das provas, é rico em recursos estilísticos e palavras com distintos significados.
Nunca foi minha intenção ofender ou atacar quem quer que seja, muito menos, o bom amigo e “primo” Abílio Cardoso Bandeira. Pessoa, pela qual, tenho o maior respeito e consideração, sendo para mim um bom exemplo no que toca a defesa e paixão de uma terra.
Vejo-me assim, obrigado a esclarecer o conteúdo da minha última intervenção.
Num claro paralelismo entre uma realidade nacional e a realidade de uma pequena terra beirã, utilizo as “famosas” cimalhas como figura de estilo, representativas de toda uma realidade como são as casas antigas em ruínas e os muros caídos (como é perceptível no terceiro parágrafo; aproveitei a deixa das cimalhas como poderia ter aproveitado qualquer outra coisa) … Porque são um dos maiores marcos da nossa identidade nacional. Deixando para segundo plano as ditas cimalhas... (entendendo perfeitamente o objectivo da mensagem deixada pelo Abílio Bandeira).
Falo assim, dos subsídios que nunca aparecem, do problema económico actual que condiciona quem tem vontade mas que não tem, neste momento, capacidade para avançar devido á actual situação financeira (“massas”) e dos “vendedores de jogo” que fazem e acontecem, mas nunca avançam. Realidades nacionais, mas que numa outra escala se podem adaptar à realidade do Esporão.
Nunca foi minha intenção criticar quem tem obra feita, mas sim, tentar “espicaçar” todos os “amigos” do Esporão . Porque, ao que sei, há um grande número de pessoas, com ideias e vontade de fazer mais pela nossa terra, que consultam este “Blog”. Tinha a intenção de usar a minha intervenção como “despertador” e não como uma “ bomba relógio”….
Finalizo dizendo (porque já vai largo o texto), que foi um mero “desabafo” (num Blog “familiar”) daquela que é para mim uma realidade… Não procurando nenhuma verdade indiscutível, porque essa só a Deus (também não tenho essa pretensão) … Não “acusando” ninguém de falta de verdade, por leitura de um simples texto, que pode ter diferentes interpretações.
Porque respeito, hoje e sempre, a opinião de cada um, mesmo não havendo sintonia com aquelas que são as minhas convicções. Assim me ensinaram os meus pais e os meus avós…

Venha de lá esse brinde…

Tiago J. Santos Carriço

A.C.B. disse...

Amigo Tiago, pode acontecer que ás vezes as palavras que nos soam a nós como mera brincadeira, até pelo tom com que as proferimos, podem soar a outros ouvidos como "bocas", não é obviamente o caso.
Penso que o tom mais "sério" do nosso amigo Adriano se deveu ao facto de ele já ter ouvido "bocas" infelizes de pessoas também "infelizes" que lhe diziam coisas do género:
"...se andas a fazer casas em xisto é porque te deram algum subsidio..." ora, o Adriano construiu a sua casa como os outros,com o suor do seu rosto e sem subsídios,mas, se houvesse ou houver subsídios,abençoados! Que venham eles, seria óptimo para o Esporão, o pior é que tardam a vir.
Amigo Tiago,um abraço muito grande e "bota prá ai faladura" sempre que te apetecer, o "Terras do Esporão" é mesmo para isso.

pafonso disse...

Eu não era comentar mas como falaram na "rede das aldeias de xisto" não resisto.
Tendo eu já visitado algumas das ditas aldeias da "rede das aldeias de xisto" antes e depois da sua classificação como aldeias de xisto.
Devo dizer que se algumas me supreenderam positivamente pelo trabalho nelas desenvolvido (recuperação de casas, ruas, candeeiros, imoveis comunitarios, etc), noutros casos fiquei totalmente desiludido, ou por o dito xisto não ser visivel por estar debaixo de reboco ou noutros casos terem forrado a xisto algumas paredes / muros onde antes tal não existia.
Visitem essas aldeias, nalgumas teram dificuldade em encontrar o xisto, noutras ficaram espantados com a forma com que foram recuperadas, podendo até tirar ideias que poderão se aplicadas no Esporão no futuro.

Paulo Afonso

A.C.B. disse...

Amigo António, mais uma vez presente, muito obrigado pelo seu incentivo ao Esporão.
Mas sabe, vou-lhe confessar uma coisa, quando se fala em "aldeias de xisto" lembro-me sempre daquela jóia escondida na serra, ali tão perto de nós, isso mesmo...Carvalhal Miúdo!
Que pena nunca ter sido aproveitada, ou sequer lembrada para ser integrada nessas "redes" de "xisto".
Um abraço.

A.C.B. disse...

Amigo Paulo, tudo bem?
Confesso que também eu fiquei desiludido com algumas das chamadas "aldeias de xisto".
Mas isto é Portugal, infelizmente ainda não ganhámos aquele amor e respeito verdadeiro às coisas tradicionais e antigas (pelo menos às que merecem esse respeito!).
Quanto a isso a Espanha, a França, a Itália e tantos outros países da Europa, estão muito à nossa frente.
Esta pequena história, que aconteceu comigo, ilustra bem o que eu quero dizer:
- "Há anos atrás, tinha o meu sogro acabado de recuperar uma parede de uma casa toda em xisto, e estava eu a admirar a beleza e a perfeição com que a parede tinha sido executada/recuperada, quando surgiu atrás de mim uma senhora que disse:
- Já está acabada, sr. Abílio?...
- já, já está?, está bonita,não está? - disse eu.
Resposta pronta da senhora:
- Está, está muito bonita! Agora só falta uma rebocadela e uma tinta branca!..."
Sem comentários, não é?
As pessoas até nem fazem por mal e até pensam estar a fazer o melhor.
Tenhamos esperança.
Um abraço.

Anónimo disse...

Bom dia para os meus amigos Abílio e Tiago.

Abílio agradeço teres tomado a iniciativa de falares no meu nome,justificando o porquê,
do tom "mais sério",das minhas palavras.
Como bem dizes,talvez mais não seja:
"como as mesmas nos soam".

Ao meu vizinho Tiago,só posso dizer que gostei de ler ambos os textos.
Com a tua licença,farei minhas as tuas palavras, dos três últimos parágrafos do segundo texto.
Pois também me identifico com os mesmos.
Bem hajam,todos aqueles que acreditam e empregam os seus esforços para um Esporão renovado.

Brindemos pois.
Adriano Filipe