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terça-feira, 20 de janeiro de 2009

TRINTA POR UMA LINHA - CRÓNICAS DA VIDA QUE PASSA

O PROMETIDO É DEVIDO

Não sei se teremos todos um destino já escolhido para a vida de cada um de nós.
Mas na realidade, gostaria imenso que não tivéssemos nenhum destino marcado, porque isso, a meus olhos, tornaria absolutamente inútil todos os nossos esforços para mudar a nossa própria vida e para nos mudarmos a nós próprios. Porque era inútil esse esforço, uma vez que já estava decidido o futuro, tornava-se por isso mesmo um esforço inglório, injusto e até cruel.
Isto tudo só para dizer que todos dias acabamos por ter uma oportunidade para mudar as coisas. Uma oportunidade para sermos diferentes, uma oportunidade para mudar de rumo.
Portugal precisa hoje em dia, mais do que nunca, de acreditar que o destino não está escrito nas estrelas, que o destino somos nós que o fazemos, dia a dia, em cada palavra, em cada gesto, em cada motivo que encontramos para acreditar nesta Terra, nesta Pátria Mãe.
A Pátria não podem ser 11 sujeitos com uma tshirt e umas cuecas largas a correr atrás de uma bola. A Pátria somos nós e os nossos filhos, o nosso território, a nossa gente, do nosso sangue ou da nossa Nação...
E se um dia, em Ourique, nos prometeram uma Pátria, e nos disseram que "eramos livres porque o nosso Rei também era livre", não se lembrem agora do alto do vosso pedestal de dar cabo dela. É que nós não somos todos banqueiros nem assaltantes de bancos e queremos de novo a nossa Pátria, porque se o prometido é devido, um dia podemos perder a paciência!

Abílio Cardoso Bandeira